As cidades históricas brasileiras carregam em suas estruturas a memória do povo brasileiro.

Cidades históricas são a preservação da memória de povos e pessoas que, durante anos, constituíram suas vidas, histórias e tradições em determinado local. Notórias por expressarem a história desses povos em sua arquitetura, essas cidades conectam os dias atuais aos memoráveis momentos do passado. Rico em história e cultura, o Brasil contém variadas cidades históricas, que carregam características dos anos de colonização e da chegada de povos imigrantes.

Preparados para conhecer algumas dessas cidades brasileiras e viajar no tempo?

Ouro Preto – Minas Gerais:

Um tesouro brasileiro, a cidade de Ouro Preto compreende o maior conjunto arquitetônico da era colonial, reunindo igrejas e casarios do século XVII.
A exploração de ouro na região atraía bandeirantes paulistas que estavam em busca de riqueza, ocasionando as fundações de arraiais, que originaram os povoados locais. Ouro Preto preserva a memória de suas riquezas e do período colonial em sua arquitetura, dando maior notoriedade às suas igrejas.
Com variadas opções de igrejas para visitar, a cidade histórica apresenta fascinantes construções barrocas, incluindo obras de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Dentre suas diversas igrejas, as mais notáveis são: Igreja de São Francisco de Assis e Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, ornamentada em ouro.
Declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, a cidade foi cenário para a Inconfidência Mineira, ocorrido que marcou o processo de independência do Brasil. No Museu da Inconfidência são narrados detalhes desse momento histórico, assim como a Casa de Tomás Antônio Gonzaga mostra móveis e objetos do período colonial.

Paraty – Rio de Janeiro:

Importante entreposto comercial, Paraty era uma das cidades do Caminho do Ouro, percurso para transporte das riquezas de Minas Gerais para as embarcações portuguesas. Grande produtora de cana-de-açúcar, a cidade teve notável expansão de seu povoado, composto por sesmeiros e índios guaianás, posteriormente aprisionados pela expedição de Martim Correia de Sá. Com a condição de uma capela em devoção à Nossa Senhora dos Remédios, D. Maria Jácome de Melo doou um território para desenvolvimento da cidade. Parte do Centro Histórico de Paraty, a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios se mantém preservada, assim como os coloridos casarões coloniais. A preservação de sua arquitetura e natureza, caracterizam Paraty como uma das cidades históricas brasileiras, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Devido aos saques de piratas, o Caminho do Ouro alterou sua rota, iniciando o declínio da cidade. Até a criação de rotas ferroviárias, Paraty nutria-se pelo Ciclo do Café e entrou em total declínio com a Abolição, somando somente 600 habitantes. Essas circunstâncias contribuíram para a preservação das características históricas, das tradições dos primeiros povoados e na cultura própria da cidade.
Paraty mantém sua história viva na elaboração de cachaças artesanais, originárias das grandes produções de cana-de-açúcar, e nos enigmáticos símbolos nas fachadas das construções. Andar pelas ruas de “pés-de-moleque” da cidade é uma viagem no tempo, vivenciando a memória do povoado do século XIX.

Salvador – Bahia:

Primeira capital do Brasil, Salvador é uma das principais cidades históricas brasileiras, pois foi palco de grandes momentos da história do país. Referência por sua localização e qualidades portuárias, a Bahia – estado onde se iniciou a colonização brasileira – foi destino de desejos de exploradores europeus. Em meados no século XVI, um navio francês naufragou e Diogo Álvares Correa, o Caramuru, foi um dos sobreviventes. Estabelecendo-se onde viria a ser Salvador, junto a sua esposa, a índia Paraguaçu, teve grande importância para a fundação da cidade, sendo seu principal povoador.
A promissora exportação de açúcar foi o pilar do desenvolvimento econômico da Bahia e de Salvador, trazendo muitas riquezas para a cidade. Capital do Brasil até o final do século XVIII, Salvador se manteve Capital Eclesiástica da América Lusitana até o final do século XIX. A cidade compreende mais de 300 igrejas, sendo as mais notórias: Catedral Basílica Primacial de Salvador, Igreja Basílica de Nosso Senhor do Bonfim e Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Em Salvador encontramos a harmonia do catolicismo com as religiões de matriz africana.
Essência de Salvador, o Pelourinho, Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO, é o principal ponto de manifestações culturais da Bahia. Composto por casarões e igrejas datados dos séculos XVII e XVIII, expressa a história da cidade em suas ruas, museus e danças. A histórica cidade de Salvador reúne traços culturais dos portugueses, indígenas e africanos, compondo sua própria cultura, gastronomia, música e tradições.

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